A saúde pública pode receber recursos na destinação de emendas parlamentares. É uma contribuição importante, que deve estar associada a critérios rígidos para que o benefício não se perca. Essa é a minha visão geral do que precisa mudar na saúde para que todos tenham o acesso fácil, rápido e eficiente.
Centros de saúde próximos, para atender quem depende deles
Centros de saúde próximos da população e bem equipados são fundamentais para garantir atendimento rápido e eficaz a quem mais depende do sistema público. Não é discurso político, é sensibilidade e compreensão lógica de como funciona a Saúde pública. Quando o cuidado básico está acessível no próprio bairro ou comunidade, problemas simples podem ser resolvidos antes de se agravarem, reduzindo deslocamentos desnecessários e evitando a sobrecarga de hospitais. Não se pode esquecer, também, que a proximidade dos centros de saúde também diminui os custos e dificuldades de deslocamento, especialmente para idosos, gestantes e famílias de baixa renda. Além disso, uma rede forte de atenção primária melhora o acompanhamento contínuo da população, desafoga hospitais e contribui para uma saúde mais equilibrada, preventiva e digna para todos.
Atenção primária para evitar lotação de hospitais
As emergências e os hospitais de pronto socorro vivem sobrecarregados com atendimentos que poderiam ser resolvidos em postos de saúde. Isso resulta em demora no atendimento, que pode levar até a um agravamento do caso. É estratégico reverter essa situação caótica. Atenção Primária é capaz de resolver 85% das demandas de saúde. Ela deveria ser tratada dentro desse contexto e dessa relevância. Deve receber os investimentos que precisa para desafogar hospitais e atender melhor e mais rápido a população. Não é por hábito ou teimosia que as pessoas recorrem aos hospitais. Elas precisam reconhecer que a atenção primaria está pronta para atender adequadamente e em menos tempo. Ter uma multidão doente, amontoada, esperando horas por um atendimento não é a melhor política de saúde. Apoiar a rede de atenção primária de saúde de maneira profissional e eficiente dá a sociedade um grande ganho de qualidade global na saúde pública.
Profissionalismo na gestão da saúde pública e auditorias
A saúde consome grande parte das receitas públicas e desempenha uma função absolutamente fundamental. Cada real desperdiçado significa menos medicamentos, menos exames, menos leitos e menos atendimento para quem depende exclusivamente do sistema público. Garantir eficiência na gestão hospitalar não é apenas uma questão administrativa, mas um dever moral com a população que financia o sistema e precisa dele funcionando com qualidade e dignidade.
Hospitais públicos lidam com orçamentos elevados, estruturas complexas, grande volume de atendimentos, de compras, de contratos e de recursos humanos. Auditorias externas podem a encontrar falhas assim como desvios. Além disso, a articulação com redes particulares, (que acumulam grandes resultados em administração hospitalar), representa uma oportunidade concreta de aprendizado e melhoria.
Saúde pública é coisa muito séria e deveria receber administração profissional em vez de estar a serviço de indicações políticas. Devemos investir em qualificação, adaptar as boas práticas à realidade da saúde pública e assim melhorar não só a gestão como o atendimento ao cidadão.
